Jornal do Vinho

Estrela da Borgonha se rende à magia dos astros

O mítico Domaine de lá Romanée-Conti adota a biodinâmica em 100% de seus vinhedos

Marcos Pivetta/www.jornaldovinho.com.br

16/02/2008

Os adeptos da biodinânica contam agora com um reforço de peso, e que peso, em suas fileiras: o mítico Domaine de la Romanée-Conti, de onde saem o tinto mais famoso vinho do mundo, o Romanée-Conti propriamente dito, e outros seis borgonhas estelares, tornou-se 100% biodinâmico desde o ano passado. A revelação foi feita oficialmente por Aubert de Villaine, co-proprietário do domaine, durante uma apresentação de seus vinhos em Londres e a crítica inglesa Jancis Robinson publicou a notícia em seu site (num artigo acessível apenas a assinantes). “Seu importador para o Reino Unido Adam Brett-Smith da Corney & Barrow quase caiu da cadeira (quando ouviu a revelação)”, escreveu Jancis.

A conversão, sempre segundo Jancis, se dá mais por motivos práticos do que por crença irrestrita na biodinâmica. Há mais de 20 anos, o domaine em Vosne-Romanée– que tem cerca de 25 hectares de vinhedos na Borgonha, todos com status de grands crus, o mais alto da região – tornou-se integralmente orgânico. Há uns 8 anos testava práticas da biodinâmica em alguns hectares da propriedade. Embora ainda tenha dúvidas sobre a superioridade do cultivo biodinâmico em relação às práticas meramente orgânicas, Villaine disse à critica inglesa que é muito complicado manter em paralelo os dois sistemas de produção. Por isso, apesar das dúvidas, se rendeu à biodinâmica. Na Borgonha, como em outras regiões francesas (Alsácia, Vale do Loire) e em várias partes do mundo, um número considerável de produtores de renome se tornou nos últimos anos totalmente biodinâmicos, como Anne-Claude Leflaive, Dominique Lafon e Lalou Bize-Leroy (hoje à frente do Domaine Leroy e ex-comandante do Domaine de la Romané-Conti).

Controversa e carecendo de comprovação científica em muitas de suas práticas, a agricultura biodinâmica, inspirada nas idéias do filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861–1925), pode ser vista como um ramo místico e radical da produção orgânica. Alem de não usar fertilizantes e agrotóxicos (como os orgânicos), os seguidores dessa linha de pensamento adotam procedimentos de acordo com o ritmo e a energia da natureza e do Cosmos, tendo, por exemplo, as fases da Lua e do Sol como guia para a execução de de certas tarefas. Afinal, para a biodinâmica, o vinhedo, como a Terra, é um organismo vivo que deve ser tocado de forma auto-sustentável.

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