Jornal do Vinho

Show de bola e de vinhos

Todos os principais países produtores de tintos e brancos estão disputando a Copa da África do Sul. Confira o que eles têm de melhor a oferecer

Marcos Pivetta/www.jornaldovinho.com.br*

22/06/2010

França
O consumo interno cai, a concorrência de nações do Novo e do Velho Mundo no mercado externo é cada vez maior, os vinhos mais simples e de preço médio muitas vezes deixam a desejar. Apesar disso, nenhum país ainda é capaz de rivalizar com os franceses quando o assunto é produção de vinhos de classe mundial. Os melhores e mais caros rótulos de Bordeaux, da Borgonha, da Champagne e do Vale do Rhône ainda são referências de alta qualidade dentro de seus estilos de vinhos. Suas grandes uvas, tintas e brancas, são consideradas as mais nobres de todas.

Itália
Todo ano rivaliza com a França para ver quem produz a maior quantidade de vinho. Às vezes, ganha. Às vezes, perde. Historicamente, duas regiões de vinhos tintos se destacam: no norte, o Piemonte, com seus Barolo e Barbaresco feitos com a Nebbiolo; e no centro-norte, a Toscana com os tintos à base de Sangiovese e mais recentemente também de castas francesas, como a Cabernet Sauvignon e a Merlot. Tem uma forte indústria de espumantes (Prosecco e Asti). Vinhos de regiões de menor fama, inclusive os brancos, melhoraram muito nos últimos anos.

Espanha
É, com folga, o maior vinhedo do mundo, com 1,1 milhão de hectares de uvas plantadas. Em volume, é o terceiro maior produtor da bebida.
Embora ainda fortemente associado a uma casta, a tinta Tempranillo, e a uma região de vinhos, a histórica Rioja, o país hoje é um dos mais dinâmicos do planeta vinho. Rótulos de várias regiões, novas ou redescobertas, e de uvas autóctones da Península Ibérica, como a Mencía e a Albariño, são instigantes e de preço não tão assustador como outros vinhos europeus. Tudo isso sem falar na Cava, o espumante espanhol.

Estados Unidos
Quarto maior produtor de vinhos, com grande parte da vitivinicultura concentrada na Califórnia, o país está em vias de tornar (se é que já não se tornou) o maior mercado mercado consumidor da bebida. Seu forte são os Chardonnay e os Cabernet Sauvignon ricos e concentrados, com muita fruta e madeira. Mas é capaz de produzir diversos estilos de vinhos com bom nível (espumantes, rótulos com cepas do Rhône e italianas e até Pinot Noir no estado do Oregon, na costa oeste, perto da divisa com o Canadá). A uva tinta Zinfandel é uma especialidade da Califórnia.

Chile
Com um pequeno mercado interno, direciona grande parte de sua produção para a exportação. Tentou fazer da Carmenère a sua cepa tinta emblemática, mas a estratégia não deu muito certo. Produz bons tintos, alguns de classe mundial, com a dupla Cabernet Sauvignon/Merlot, e mais recentemente com a Syrah/Shiraz. Seus brancos, sobretudo os Sauvignon Blancs, têm boa aceitação internacional. Durante muito tempo, seus rótulos foram vistos apenas como boas opções de rótulos baratos. Hoje o Chile luta para mostrar que poder fazer vinhos de classe mundial.

Argentina
Pegou uma cepa francesa não muito conhecida, a tinta Malbec, e a transformou na casta emblemática de sua vitivinicultura nas últimas duas décadas. Falar o nome dessa uva faz qualquer enófilo hoje se lembrar de nossos vizinhos ao sul. Mas a Argentina é muito mais que Malbec. A Cabernet Sauvignon também vai bem em suas terras, assim como a branca aromática Torrontés, uma especialidade da província da Rioja. A Bornada, uva tinta de origem provavelmente italiana, é outra aposta. Mas, por ora, seus resultados são menos excitantes do que os da Malbec.

Portugal
É um pequeno produtor de vinhos se comparado à vizinha Espanha. Tem nos fortificados do Porto seu grande produto de fama mundial. No Brasil, tem um público cativo e histórico para seus rótulos, em especial os tintos, oriundo de diversas regiões (Dão, Alentejo, Douro, Bairrada). Sua produção de modernizou muito depois da entrada de Portugal na União Europeia, em 1986. Sua diversidade de castas autóctones, como a tinta Touriga Nacional, é impressionante. Dos vinhos europeus, é talvez o que ofereça atualmente a melhor relação preço/qualidade no Brasil.

Austrália
Sua especialidade são os tintos à base da cepa francesa Syrah, que os australianos preferem chamar de Shiraz. Na ala dos brancos, sempre investiu forte nos Chardonnay. Deu muito trabalho aos rótulos franceses de preço mais em conta nos últimos anos em vários mercados importantes, como o da Inglaterra. Sua produção é dominada por poucos conglomerados do vinho, que controlam várias vinícolas e marcas. Mais recentemente, sua fúria exportadora arrefeceu um pouco e teve de lidar com problemas locais, como a superprodução de vinhos.

*Esta matéria foi originalmente publicada na edição de junho de 2010 do Bon Vivant.

Leia também reportagem sobre os vinhos da África do Sul

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