Jornal do Vinho

Para fugir da dupla Chardonnay e Sauvignon Blanc

Quatro uvas que valem a pena conhecer no calor do verão

Marcos Pivetta/www.jornaldovinho.com.br*

05/02/2008

Riesling

Não se deve confundir a Riesling, de origem alemã, às vezes chamada de Riesling Renana, com a Riesling Itálica, cepa menos nobre e bastante comum no Sul do Brasil. Para alguns críticos, a Riesling é uma uva tão boa ou até melhor que a Chardonnay, normalmente descrita como a rainha das castas brancas. Pode render vinhos capazes de durar décadas, numa grande variedade de estilos: do mais seco possível, passando pelos meio-doces, até os doces de sobremesa. Não lhe falta acidez e seus aromas costumam lembrar maçã, lima, mel, com notas minerais muito características. Um delicioso quê de petrolato ou querosene é uma de suas marcas registradas. Na Alemanha, é muito plantada nos vales do Mosel e do Reinghau. Na Alsácia (França) e Áustria, também se faz presente com destaque. Com o aquecimento global, está mais fácil amadurecer a Riesling na Alemanha, uma boa notícia para os consumidores. Embora em escala bem menor que a Chardonnay e a Sauvignon Blanc, a Riesling, que não costuma passar por madeira, começa a viajar pelo mundo e a se tornar uma cepa internacional. Hoje exemplares muito bons dessa uva já podem ser achados na Austrália e, mais recentemente, num nível ainda inferior, mas já aceitável, no Chile. No estado americano de Washington, a cepa se difundiu e no Canadá é usada para fazer o famoso vinho doce Icewine (Vinho do Gelo).

Pinot Grigio

Nome italiano da variedade francesa Pinot Gris – às vezes chamada na Alsácia de Tokay Pinot Gris, onde rende vinhos secos e doces, de colheita tardia – com o qual essa uva se tornou relativamente conhecida pelos consumidores internacionais. Trata-se de uma mutação em branco da tinta Pinot Noir. De casca acinzentada (daí o seu nome), a casta é muito plantada no Nordeste da Itália, em especial no Friuli (de onde saem os melhores exemplares dessa cepa), Alto Adige, Vêneto e até na Lombardia. Produz vinhos de bom corpo, mas frescos, com notas esfumaçadas, de especiarias. Às vezes, podem apresentar certa oleosidade. No Brasil, a Miolo produz uma versão dessa uva na Campanha Gaúcha.

Alvarinho

Tida como a mais nobre das uvas brancas que podem entrar no blend dos Vinhos Verdes, uma especialidade da região do Minho, no Norte de Portugal, que se modernizou nos últimos anos e vale a pena ser revisitada. Plantada nos arredores da cidade de Monção, a Alvarinho hoje costuma aparecer cada vez mais sozinha, na forma de varietal, em rótulos portugueses. Dá um vinho em geral com mais estrutura e corpo do que os Vinhos Verdes mais comuns. Essa cepa adaptada ao clima úmido da região rende teores consideráveis de álcool (entre 12% e 13%), conserva boa acidez e apresenta notas cítricas no aroma. Na vizinha região espanhola da Galícia, também é plantada com o nome de Albariño.

Torrontés

Casta originária provavelmente da família dos Muscat, com aromas (florais) muito pronunciados, às vezes até demais, que tenta se firmar como a uva branca emblemática da Argentina. Pode dar vinhos de boa acidez, mas, se não for vinificada com cuidado, rende brancos com muito álcool e algum amargor. Parece bem adaptada ao clima árido dos vinhedos da Argentina, sobretudo na região montanhosa Cafayate, na província de Salta. É usada em blends de vinhos, mas há bons varietais a preços atrativos no Brasil. É uma uva do tipo ame-a ou deixe-a. Alguns a adoram; outros a detestam.

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Esta matéria foi originalmente publicada na edição de janeiro de 2008 do jornal Bon Vivant

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